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08/12/2025 - Uma pesquisa inédita realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras e Educadores, da Universidade Federal Fluminense, revelou um cenário preocupante: nove em cada dez professores brasileiros já sofreram ou presenciaram casos de perseguição, censura ou intimidação dentro do ambiente escolar.
O estudo contou com mais de três mil participantes da educação básica e superior, das redes pública e privada.
O coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, explica que o foco principal foi identificar situações que limitam a liberdade de ensinar — desde tentativas de censura e perseguição política até questionamentos agressivos e proibições explícitas de conteúdo. Segundo ele, a prática acontece em todo o país e em todos os níveis de ensino.
Os números confirmam a gravidade do problema. Na educação básica, 61% dos professores relataram violência direta; na superior, 55%. Entre os casos relatados, 58% sofreram intimidação, 41% enfrentaram ataques aos seus métodos de ensino e 35% foram proibidos de abordar determinados temas. Também houve registros de demissões, mudanças forçadas de local de trabalho, agressões verbais — e até agressões físicas.
Os temas que mais provocam conflitos dentro das escolas envolvem questões políticas, gênero e sexualidade, religião e negacionismo científico. Para muitos professores, abordar conteúdos obrigatórios, como orientação sexual ou até a teoria da evolução, virou motivo de ameaça.
A pesquisa também mostrou que, em quase metade dos casos, a violência parte de dentro das próprias instituições. Diretores, coordenadores, familiares e até estudantes têm sido apontados como agentes de censura e perseguição.
Segundo Fernando Penna, esse ambiente tem levado muitos profissionais a abandonar a carreira. Ele chama o fenômeno de “apagão dos professores” e alerta que o medo está deteriorando a liberdade de ensinar e de aprender nas escolas brasileiras.
O Observatório recomenda que o governo federal implemente uma política nacional de proteção aos educadores, especialmente em períodos eleitorais, quando a violência costuma aumentar. A proposta já está em debate no Ministério da Educação e no Ministério dos Direitos Humanos.
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